Liberdade
Já fui recluso. Fui aprisionado. Enfiado num pequeno cubículo situado nos confins do mundo. Aí estive preso. A minha liberdade tinha sido colocada em suspenso. Fui condenado por questionar e trancado sem poder apelar a recurso. Durante o meu confinamento não vi uma única pessoa, nem uma sombra que se assemelhasse a tal. A minha única companhia era o meu guarda, o carcereiro, também um condenado. Havia sido condenado pelo crime de despersonalização da humanidade e a sentença do julgamento foi a de ter de me guardar até ao fim de uma das nossas vidas. Sei da existência de tal sujeito pela simples pronúncia de um gesto. Não conversávamos, não dirigíamos uma única palavra ao outro, apenas um gesto, o de fazer passar o tabuleiro da comida. Através dessa momice fiquei ciente da sua presença e da sua função. Durante vinte e quatro anos esse foi o nosso único diálogo, a nossa única forma de comunicação. Nunca vi o seu rosto ou qualquer outra parte do seu corpo. Nesses anos todos n...