Rasgos de paisagens por descobrir escondidas a cêu aberto

Um pedaço de pano deslaçado do teu tecido

Vem até mim
Vem acalmar o meu respirar ofegante
Acalma os meus sentidos que circulam à deriva
Estou pronto para te amar
Estou pronto para te receber
Nada mais quero, nada mais pretendo
Tu
Tu em mim
Eu para ti
Tu, tudo
Eu, completo
Quero-te a dormir perto de mim
O teu corpo a deixar a sua marca no meu colchão
A cama a gemer de prazer por te ter
Eu a sentir esse prazer e prazerosamente saber que estás aí
A porta entreaberta deixa passar um feixe de luz que ilumina as tuas feições
Honestas
O Sol reconhece a autenticidade e é verossímil nas suas escolhas
Em ti enclausuram-se as trevas e a beatitude e eu quero ambas
Ao acordar quero saber que tu sabes que o teu lugar esta delineado
O teu sorriso ganha a forma de um arco resiliente
As palavras saem como flechas
Incisivas e precisas
Belas e delicadas
Os teus olhos que não são verdes
Não são castanhos
São…
…maravilhosos
Respeito o que me fazes sentir
E temo-o
Como hei-de lidar com ele,
Com ela
Contigo
Existem percursos, caminhos, rotas
Estas mesmo aqui?
Comigo?
Alucino, ou será que tenho o dom da clarividência?
Já não me recordo se isto é o presente
O futuro poderá ser assim?
Ou já passou?
A tua marca continua na minha cama
Ou será que tal marca foi cravada por mim?
Na minha pele deparo-me com uma marca
São os teus dentes que se cravaram em mim
E que arde tal é a ânsia do desejo
Eu não tenho que te ver no imediato
Eu não tenho que te ver no imediato?
Mas tenho que contornar esta floresta de betão que se ergue diante de mim
São como ervas daninhas com a particularidade que cospem seres mascarados
Mas nas florestas existem lugares belos que surgem como miragens
É para aí que me dirijo, aí está a minha resposta
Ela (tu)
O meu consciente armou-se e formou uma aliança com o inconsciente
Acordado encarrega-se de ti
A dormir deixa essa função para o inconsciente
Juntos mantêm-te viva
Em mim
Caminho para te identificar
Projectando
Enquanto, fora de mim permaneces
Até a chuva compreende o quão sagrada és
Não chove onde estás
Aí o solo é sagrado
Quem contigo estiver, está protegido
Abrigado
Os perfumistas são invejosos
Tentam por tudo desvendar o teu perfume
Mas em vão, pois nós sabemos (eu sei) que é uma entrada restrita
A ti
Poucos são os que o podem sentir e nele banhar-se
O sentido de plenitude que é assim atingido
É a mais potente droga
Liberta dopamina
Doce
És o interruptor
Activas os nervos parvocelulares D & V
Eles são a chave para entrar em ti
Moldam-se à tua porta
O encaixe é perfeito
Foste feita com régua e esquadro seguindo a regra de ouro
Apresentas uma proporção áurea
1.618
Divina?
Enganas bem
E há que acreditar em algo
Todo o ser acredita
Esse algo pode estar presente
Ausente
Omnipresente
Omnipotente
Eu  escolho juntar essas variáveis
Saio a ganhar
Escolhi-te a ti
Pronto
Estou pronto
Tu, existes?

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Intermezzo 02