Humanidade?

Há algum tempo escrevi (não neste espaço) sobre os motins que ocorreram em Inglaterra e lá dizia, entre outras coisas, que se a civilização era isto então preferias ir para um lugar incivilizado. Com este pensamento na cabeça comecei a ficar com a sensação de que talvez me estaria a colocar numa posição de superioridade em relação ao resto da humanidade, falando em termos absolutos.

A verdade é que sou uma besta igual a tantos outros e apesar de ser verdade que não tenciono andar por ai a distribuir violência ou a roubar, também é verdade que esses não são os únicos métodos de "descivilizar". Aproveitando uma imagem que é muitas vezes utilizada na ficção onde a uma pessoa que se encontra num dilema surgem em cada ombro um anjo (representando o lado racional) e um diabrete (representando o lado irracional). A meu ver parece-me que cada vez mais o diabrete ganha mais força ou então andamos a dar muito menos atenção ao anjo o que a meu ver não é assim tão boa ideia, visto que para o anjo estar ali é porque deverá ter algum voto na matéria e não deveríamos deixar de lhe dar atenção, até porque pode ser que com a ajuda dele se consiga evitar imensos transtornos e/ou confrontos maiores.

Colocando agora em termos que me são mais próximos (e peço ao leitor que me desculpe caso não entenda os termos que vou em seguida empregar, mas penso que conseguirá acompanhar o raciocino sem problemas) sinto cada vez mais que a "barreira" que o Super-Ego "levanta" ao Id está mais fraca o que poderá originar uma maior fugas das pulsões malditas que nos tornam tão primitivos e irracionais. Já senti essa "barreira" a ser pressionada com alguma força e felizmente tenho demonstrado uma boa capacidade de auto-regulação, mas mesmo que exista uma "fuga" de pulsões insignificantes sinto que a acção que a sucede pode não vir a ser a mais correcta, mas é como se o corpo tivesse vontade própria e por vezes isso acaba por me corroer por dentro.

Sem alongar em demasia quero aqui deixar bem claro que não estou a tentar marcar nenhuma posição teórica e não me baseie em autor algum para dizer o que acabei de afirmar. Apenas tentei falar de consciência tranquila e limpa e apresentei as ilações que tiro do ambiente que me rodeia e ao qual sou um mero espectador.

Caso discordem do que aqui foi dito, não se acanhem e exponham as vossas ideias ou se se depararem com erros nos conceitos apresentados, não hesitem em denuncia-los e corrigi-los.

Comentários

  1. Não acho que seja uma questão de "anjo/diabrete" (apesar de gostar imenso dessa alusão que fazes). Mais do que o que dizes, estes problemas, para mim, vêm da educação. Do facto destas crianças/jovens, terem pais que "se matam a trabalhar" para dar tudo aos seus meninos, e enquanto o fazem, eles olham para o mundo como um alguém que tem que lhes dar tudo. Basicamente. Sem trabalho sem nada. Se não o recebem, fazem o que qualquer criança faz: "birras" e gritarem com os pais, neste caso traduz-se em motins e pilhagens e destruições. Desculpa a intrusão :)

    beijinho*

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  2. Obrigado pelo comentário e de facto concordo com o que dizes, mas ao escrever este texto não ponderei todos os aspectos que poderiam estar presente. É um problema que sinto ao escrever, porque parece-me que fica sempre algo por dizer. Por isso é que agradeço estas intrusões que são sempre uma mais valia e permitem um alargamento da ideia original podendo fazer com que fique mais completa :).

    Beijos!

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