Duas linhas/Dois mundos

Enquanto escrevi isto estava sentado num comboio da linha de Sintra, serviço ao qual me vejo obrigado a recorrer com elevada frequência. A linha de Sintra não é um local que seja conhecido pelos seus aspectos positivos, aqui imperam os estereótipos e muitos dos seus utentes fazem questão de os "alimentar", podendo tentar atribuir culpas externas, sugerindo que são rotulados por outros, mas na verdade isso não é a realidade totalmente.

Este é o mundo a que estou habituado e posso afirmar que (in)felizmente não pertenço, inclusive, não me revejo nos diversos grupos que deambulam por esses caminhos de ferro, mas não quero com isto passar a ideia de que sou melhor ou pior que os elementos que se identificam com esses grupos, digamos, apenas que sou diferente, naquele contexto, um outlier.

Mas existe um mundo, totalmente diferente - pelo menos no exterior - e que vive paralelo ao que habito, refiro-me à linha de Cascais, mais conhecida por pontos positivos em detrimento dos negativos. Uma grande diferença recai inevitavelmente sobre a paisagem, sendo totalmente distintas. Ao longo desta linha somos presenteados com o rio Tejo, enquanto na linha de Sintra somos inundados por prédios. Os estereótipos também aqui estão presentes, mas são de uma natureza completamente diferente dos referidos anteriormente, aqui o plástico é predominante.

Uma semelhança entre estas duas linhas é a última paragem, sendo ambas destino turístico dotadas de cenários belíssimos e que mascaram as suas fragilidades sob um lençol de perfeição.

Quando me vejo sentado numa carruagem de um comboio da linha de Cascais sinto-me como - e perdoem-me a expressão - um verdadeiro gangster, enquanto na linha de Sintra sinto-me, alerta.

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