Vem perder-te comigo
Descalço
e sem sentido pisava as areias quentes do deserto, alimentando-me de raios de sol que queimavam o meu corpo frágil e desprotegido.
No horizonte o cenário era composto pelo som de grãos de areia a cantar e a
dançar num leve corrupio sob o céu azul.
O meu corpo não obedecia, anda em linha recta nas dunas irregulares com os olhos via-me perdido.
Vi
algo mais, uma silhueta que caminhava delicadamente. Receei que tal imagem
fosse uma miragem, uma alucinação inteligentemente elaborada pelo meu
subconsciente para me poupar à amargura da solidão, mas sem hesitar avancei até
ela e mesmo perdido, disse.
- Vem perder-te comigo.
A alucinação, agora nítida, real, respondeu.
- Onde?
Onde, perguntava.
- Num sítio que ninguém saiba, nem mesmo nós. Sabes, é quando me perco que consigo encontrar-me. Se me perder contigo, vou encontrar-te também.
É citado Ana Nunes.
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