Afecto
Foi num verão, decidi que era uma boa altura para fazer
voluntariado e gostaria de estar com crianças por
achar que poderia ser uma experiência interessante. Informei-me e tomei as providências necessárias. Durante a
primeira semana de Agosto estive numa creche na companhia de crianças com
idades entre os quatro e os cinco anos.
Desde o primeiro dia que te fizeste notar perante mim, senti
que tinhas falta de afecto e procuravas fazer o que fosse possível para estar
perto de mim. Fixando os teus olhos azuis em mim, enviavas-me um largo sorrias tendo como moldura um belo cabelo loiro.
A temperatura nesses dias estava convidativa a uns mergulhos no mar, mas
nós encontrávamo-nos ali. No segundo dia da semana que aí estive foi programado
que se iria utilizar a piscina, daquelas de plástico, que tinham estado a armar
no dia anterior. As crianças deliciavam-se e refrescavam-se naquela água fresquinha
e para não ser alvo de salpicos desenfreados decidi permanecer na sala onde
me sentei numa daquelas cadeirinhas feitas à medida das crianças.
De rompante entras tu com o teu vestido a esvoaçar e num
acto contínuo sentas-te ao meu colo e sem pausas confidencias-me “Não tenho
cuecas, elas estão molhadas”.
Perante tal acção e palavras a minha reacção foi instantânea,
peguei em ti para que te levantasses do meu colo e num tom calmo dei-te a
seguinte indicação “Então vai ver se elas já estão secas, ok” e tu foste a
correr, contente. O dia era de calor e puderam brincar na piscina.
(Este momento ficará para sempre inscrito na minha memória como a prova de que as crianças não pedem para ser abusadas.)
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