Lápis amarelo
Hoje peguei nos lápis de cor. Escolhi o amarelo. Não que precisasse de amarelo. Não ia pintar o sol. Mas a minha mão escolheu-o. Instintivamente. Inconscientemente. Trata-se de uma cor especial. De contornos frágeis. Quase imperceptível. Se for usado como tom principal surge uma angústia. Angústia de fragmentação. De perda de limites. Do contacto com a realidade. Do eu. Quando se usa o amarelo. Sem ser para preencher. Sente-se uma pressão. O bico do lápis quer perfurar a folha. Carrega-a. Quer adensar o seu traço. Tornar-se visível. Resistente. Eu quero usar o amarelo. Quero perceber os seus [meus] limites. A [minha] realidade. O [meu] eu.
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