Alternativa

Sou uma contabilista de 53 anos que se viu forçada a trabalhar numa área totalmente diferente. Agora sou doméstica, faço limpezas em casa particulares, mas hoje não tive trabalho. Tenho quatro filhos para alimentar.
O dinheiro que vou ganhando provém das casas que conseguir tratar, mas hoje nenhuma necessitava dos meus serviços e a alternativa que arranjei não me orgulha nem um pouco. Hoje vou ter que ir para a rua, vou ter que me prostituir para conseguir arranjar dinheiro. Odeio quando tenho que recorrer a isto. Sinto-me suja, usada, invadida.
Não sou bonita, nem jeitosa, não sou interessante, sou simplesmente vulgar, por isso tenho que me contentar com os homens mais nojentos, pestilentos e perversos. Como percebem que necessito de dinheiro, fazem uso da sua imaginação da forma mais perversa possível. Já fiz coisas impronunciáveis que me fazem cair num pranto e tudo por uns míseros 20€.
Após cada vez que sou usada não consigo evitar e vomito. Esse vómito é da cor das notas de 20€. Sinto a minha bílis a querer explodir.
Faço os possíveis para não recorrer a isto, sinto-me horrível, mas os meus filhos não têm culpa. Têm fome. E estou sozinha, não existe marido, companheiro, nem nada que se assemelhe a tal. O pai das crianças fugiu com uma prima e um primo seu, com os quais mantinha um relacionamento às escondidas. Uma tríade incestuosa.
Hoje lá fui para a minha zona e não passava ninguém, até que apareceu um vulto que se dirigiu a mim. Para minha grande surpresa esse vulto tomou uma forma que me é conhecida. À minha frente surge o meu irmão.
Passaram alguns segundos de silêncio e de repente ele diz-me: “Tu precisas do dinheiro, certo?”
Acenei ligeiramente e dirigimo-nos ao carro dele.

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Intermezzo 02