Palhaçada

Palhaços cinzentos gritam “mãos ao alto” enquanto irrompem pelo banco. Não estão para comédias. Uma mulher grita em horror e um deles dispara a matar. Outro chega junto ao balcão e diz para a mulher que estava a atender “cheira a minha flor”. Ela permanece imóvel e ele grita “cheira!”. Muito devagar a mulher aproxima-se da flor na lapela do casaco dele e um líquido atinge-a na face. Ela começa a gritar. Era ácido. Estes palhaços tinham um sentido de humor peculiar.
As restantes três pessoas encontravam-se num profundo terror. Enquanto se divertiam um terceiro palhaço pendurou uma corda com um laço bem apertado e enrolou-a à volta do seu pescoço e enforcou-se. O choque e o pavor paralisaram os reféns.
Os outros palhaços que agora são só dois prosseguiram a pregar partidas.
Um deles tirou uma tarte de um saco, acercou-se de um homem e fez pontaria à carta. No embate começou a escorrer sangue. A tarte tinha um recheio de pregos.
Agora eram duas presas e dois palhaços. Uma terceira mulher tentou correr para a porta e um dos palhaços bloqueou-lhe o caminho, apontou uma pistola e *bang*, saí um papel a dizer bang. A mulher urinou-se pelas pernas e o palhaço começou a tirar um lenço da manga do casaco e preso a este vinha outro e outro, até que o abdómen da mulher ficou manchado de vermelho. No fim dos lenços estava um punhal. O sangue misturou-se com a urina nas pernas e no chão.
Restava um homem. Os dois palhaços viraram-se para ele e declararam “gostaríamos de fazer um depósito”. O homem para além de aterrorizado ficou confuso. Um dos palhaços enfiou uma dinamite na boca do indivíduo, acendeu o rastilho e saíram.
Uma grande explosão. Um grande final. Uma tarde bem passada.

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