Os lobos entraram na via da esquerda ultrapassando tudo e todos. Corriam desalmadamente. Corriam atrás das suas almas. Foram roubadas, estropiadas, arrancadas do seu corpo e largadas nos confins do mundo.

O mundo anda às rodas e os confins vão-se afastando cada vez mais, mas os lobos circulam na via da esquerda tentando contrariar a entropia e gravidade. Entendiam a gravidade da situação, assim como a sua impressibilidade. Não poderiam descansar sem alma, não conseguiriam ter paz.

A via da esquerda estava desimpedida, não circulava vivalma. Os lobos uivavam com tamanha dor, raiva, medo. Um cocktail emocional que foram forçados a tomar e que abria caminho. Caminho sem fim.

Esperemos que a via da esquerda não termine.

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