Os navios existem e existe o teu rostoEugénio de Andrade em "As palavras interditas" (1951)
encostado ao rosto dos navios.
Sem nenhum destino flutuam nas cidades,
partem no vento, regressam nos rios.
Na areia branca, onde o tempo começa,
uma criança passa de costas para o mar.
Anoitece. Não há dúvida, anoitece.
É preciso partir, é preciso ficar.
Os hospitais cobrem-se de cinza.
Ondas de sombra quebram nas esquinas.
Amo-te... E entram pela janela
as primeiras luzes das colinas.
As palavras que te envio são interditas
até, meu amor, pelo halo das searas;
se alguma regressasse, nem já reconhecia
o teu nome nas minhas curvas claras.
Dói-me esta água, este ar que se respira,
dói-me esta solidão de pedra escura,
e estas mãos noturnas onde aperto
os meus dias quebrados na cintura.
E a noite cresce apaixonadamente.
Nas suas margens nuas, desoladas,
cada homem tem apenas para dar
um horizonte de cidades bombardeadas.
Intermezzo 02
Apesar de que gostaria de poder postar todos os dias algo de novo não tenho essa possibilidade, por isso decidi que irei actualizar este blog todas as terças, quartas e domingos, sendo estes os dias em que tenho uma maior disponibilidade. Esperem então novidades. Se alguém tiver comentários, sugestões, reclamações, criticas a fazer por favor façam, não sejam tímidos, porque aqui ninguém irá julgar ninguém.
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