A escadaria que me imobilizou
A estação estava deserta e esperava o comboio. Naquele momento apenas o meu corpo e as escadas rolantes funcionavam, o resto encontrava-se em suspenso. Assim permanecia o ambiente que me rodeava, até que, de repente, e sem qualquer aviso senti uma mudança no ar que até ai era solitário. Reparo que as escadas, num acto de mestria, começam num crescente aumento de velocidade. Percebi que se aproximava alguém.
Em sentido descendente começa a surgir uma figura, a primeira impressão é marcada pelo seu calçado que percebi de imediato pertencer a um ser humano do sexo feminino. Gradualmente a imagem foi-se compondo, surgindo as pernas como prolongamento dos pés, seguindo-se das coxas, cintura, ventre, o tronco completava-se com o peito, sendo acompanhado pelos braços e por duas mãos de aparência suave. Por fim a morfologia completou-se com a aparição de uma cabeça ostentado um rosto de traços delicados e um conjunto de finos cabelos da cor do trigo maduro.
Na presença do conjunto de linhas que delimitavam esse ser o meu coração saltou um batimento (skipped a beat), um milésimo de segundo onde todo o meu sangue estancou de forma a poder olhá-la.
Algo em ti despertou algo em mim. Não sei se foram as tuas calças cinzentas, o teu top branco, os teus olhos que se escondiam sob os óculos ou a simplicidade de como tinhas o teu cabelo apanhado por um simples elástico.
As escadas na sua magnificência conduziram-te para perto de mim e eu tremia que nem varas verdes por te ver a meros passos. Ornamentavas o rosto com um sorriso e na minha ingenuidade julgava que o lançavas na minha direcção.
A ansiedade aumentava à medida que a distância diminuía e na minha mente voavam pensamentos, tão velozes que não os conseguia suster.
Em silêncio contei 1, 2, 3, os nossos olhos cruzaram-se e consegui percepcionar que por detrás dos óculos de armação preta dois olhos verdes observavam atentamente o mundo à sua volta. Estavas perto de mim, tão perto que o teu perfume se confundia comigo, fazendo-me esquecer qual era o meu odor, a que é que cheirava.
Voltei a contar 1, 2, 3 e passaste por mim, sem me tocar, sem me falar, sem me identificar. Apenas ficou o ar da tua passagem e o vazio de algo que não era.
A estação continuou vazia e naquele momento as escadas rolantes permaneciam no seu loop interminável e na plataforma dois corpos dissociados funcionavam.
Entretanto chegou o comboio [e sentei-me à janela].
Em sentido descendente começa a surgir uma figura, a primeira impressão é marcada pelo seu calçado que percebi de imediato pertencer a um ser humano do sexo feminino. Gradualmente a imagem foi-se compondo, surgindo as pernas como prolongamento dos pés, seguindo-se das coxas, cintura, ventre, o tronco completava-se com o peito, sendo acompanhado pelos braços e por duas mãos de aparência suave. Por fim a morfologia completou-se com a aparição de uma cabeça ostentado um rosto de traços delicados e um conjunto de finos cabelos da cor do trigo maduro.
Na presença do conjunto de linhas que delimitavam esse ser o meu coração saltou um batimento (skipped a beat), um milésimo de segundo onde todo o meu sangue estancou de forma a poder olhá-la.
Algo em ti despertou algo em mim. Não sei se foram as tuas calças cinzentas, o teu top branco, os teus olhos que se escondiam sob os óculos ou a simplicidade de como tinhas o teu cabelo apanhado por um simples elástico.
As escadas na sua magnificência conduziram-te para perto de mim e eu tremia que nem varas verdes por te ver a meros passos. Ornamentavas o rosto com um sorriso e na minha ingenuidade julgava que o lançavas na minha direcção.
A ansiedade aumentava à medida que a distância diminuía e na minha mente voavam pensamentos, tão velozes que não os conseguia suster.
Em silêncio contei 1, 2, 3, os nossos olhos cruzaram-se e consegui percepcionar que por detrás dos óculos de armação preta dois olhos verdes observavam atentamente o mundo à sua volta. Estavas perto de mim, tão perto que o teu perfume se confundia comigo, fazendo-me esquecer qual era o meu odor, a que é que cheirava.
Voltei a contar 1, 2, 3 e passaste por mim, sem me tocar, sem me falar, sem me identificar. Apenas ficou o ar da tua passagem e o vazio de algo que não era.
A estação continuou vazia e naquele momento as escadas rolantes permaneciam no seu loop interminável e na plataforma dois corpos dissociados funcionavam.
Entretanto chegou o comboio [e sentei-me à janela].
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