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A mostrar mensagens de novembro, 2014

Amor em têla

Liberdade na tela Compro uma caixa de aguarela Quero imaginá-la Liberdade na tela Compro uma caixa de aguarela Quero pintá-la Liberdade na tela Compro uma caixa de aguarela Quero sombreá-la Liberdade na tela Compro uma caixa de aguarela Quero clareá-la Liberdade na tela Compro uma caixa de aguarela Quero cheirá-la Liberdade na tela Compro uma caixa de aguarela Quero olhá-la Liberdade na tela Compro uma caixa de aguarela Quero abraçá-la Liberdade na tela Compro uma caixa de aguarela Quero beijá-la Liberdade na tela Compro uma caixa de aguarela Quero senti-la

Alucinação em sedimentos

Ele alucinava nas horas vagas. Afinal tinha que arranjar algo com que se entreter quando não tinha que fazer. Nunca estava aborrecido. Os seus fantasmas faziam-lhe companhia. Como eram variados. Um deles consistia num rabo com asas que frequentemente sobrevoava o espaço aéreo dele e defecava-lhe em cima da cabeça. Era costume vê-lo de chapéu-de-chuva aberto, mesmo durante o verão. As pessoas achavam estranho aquele comportamento, mas não era ele que iria andar todo cagado. Ele alucinava com diversas coisas, algumas totalmente desconectas como é o caso de ver dejectos a saltar à corda. Ele alucinava muito com cocó. Ele é muito organizado, dir-se-ia até obsessivamente organizado. Dava-se bem com as suas alucinações, já se tinha habituado a elas e vendo bem não lhe causavam grande transtorno. Como mantinha uma boa relação com elas decidiu que todas as pessoas deveriam disfrutar delas, assim nunca mais iria ouvir que fulano tal estava sozinho. Ele iria erradicar a solidão! E não o iria...

A mão que segura a verdade

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Ele pensou em fugir mas não tinha destino, não sabia para onde se virar, todas as saídas encontravam-se bloqueadas e os acessos cortados, estradas desmontadas e pontes quebradas. Ele pensou em fugir mas o mundo não o permitia, ele tinha que ficar naquele lugar sem se poder mexer. Respirava a custo, o ar tornava-se rarefeito, cheio de toxinas libertadas pela atmosfera requebrada. O sol desapareceu, implodiu e deu origem a um buraco negro, sugava todas as estrelas e ele não tinha nenhum guia no céu. O céu escureceu para sempre. O silêncio reinava, ele pensou em fugir mas não havia fuga. O universo morreu, as espécies por descobrir pereceram. O silêncio gritou de tal forma que o apanhou desprevenido, ele correu sem sair do lugar e a arfar apercebeu-se que tinha que gritar, tinha que cortar o silêncio e dar sentido à sua existência, ele existia, permanecia na terra arrida e iria deixar a sua marca no infinito. Não iria ser engolido pelo antigo sol sem lutar. Ele pensou em fugir. Ele fugiu...

A história de um pedaço de pano

Num pedaço de pano escrevo o teu nome. Seguro muito delicadamente como se da minha vida se tratasse. Pego em linha – da mais forte e resistente que encontrar – e uma agulha. Coso o pedaço de pano com o teu nome no meu peito. Agora andas comigo para todo o lado, sempre a meu lado. Bem perto do coração.