A mão que segura a verdade
Ele pensou em fugir mas não tinha destino, não sabia para
onde se virar, todas as saídas encontravam-se bloqueadas e os acessos cortados,
estradas desmontadas e pontes quebradas. Ele pensou em fugir mas o mundo não o
permitia, ele tinha que ficar naquele lugar sem se poder mexer. Respirava a
custo, o ar tornava-se rarefeito, cheio de toxinas libertadas pela atmosfera requebrada.
O sol desapareceu, implodiu e deu origem a um buraco negro, sugava todas as
estrelas e ele não tinha nenhum guia no céu. O céu escureceu para sempre. O silêncio
reinava, ele pensou em fugir mas não havia fuga. O universo morreu, as espécies
por descobrir pereceram. O silêncio gritou de tal forma que o apanhou
desprevenido, ele correu sem sair do lugar e a arfar apercebeu-se que tinha que
gritar, tinha que cortar o silêncio e dar sentido à sua existência, ele existia,
permanecia na terra arrida e iria deixar a sua marca no infinito. Não iria ser
engolido pelo antigo sol sem lutar. Ele pensou em fugir. Ele fugiu. Fugiu para
dentro de si, entrou no seu corpo. Abriu a sua boca e engoliu o seu corpo frágil
e aí refugiou-se.
Mono, The hand that holds the truth
Comentários
Enviar um comentário