Depósito de bagagem
Tinha desistido do amor! Não posso ser dramático a esse ponto. A verdade é que a minha relação com o amor equivalia àquilo que na física se denomina por sistema fechado. Eu dava (ou queria dar), mas não recebia (positivamente). Como assim andava o amor, decidi que seria melhor que o pusesse em pausa para ponderar o que fazer a seguir. Tinha chegado à estação de comboios do Rossio e reparo que num canto encontram-se uma série de cacifos, aproximo-me para vê-los melhor e leio na inscrição "Depósito de bagagens". Era exatamente isto que procurava, sem hesitar abro um dos cacifos e depositei o meu amor lá dentro. Coloquei o meu amor em espera. Tinha-se tornado um fardo que não conseguia suportar (mas nem por isso me sentia aliviado). Fechei a porta e paguei a quantia respondente a uma embalagem pequena (assim andava o meu amor). Inseri três euros que me assegurava um aluguer para um período de vinte e quatro horas. Um pequeno custo para um falso alívio. Daí em diante, todos os...