Dia

Andava e o dia passava
Corria e o dia acelerava
Parava e o dia troçava
Dizia que o dia era para mim inalcançável

Não me rendi
Peguei numa caneta
Numa folha branca e disse para comigo
“Dia, vou-te apanhar!”

Precipitei-me a escrever “dia”
Queria ganhá-lo
Olhei para as letras
Estas estavam desencontradas

Não continham um D
Nem um I
Mas havia um A, na verdade dois
E um N

Surgiu algo diferente, inesperado
Algo me tinha alcançado
Li a palavra Ana
E nela vi a minha vida

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