Depósito de bagagem
Tinha desistido do amor!
Não posso ser dramático a esse ponto. A verdade é que a minha relação com o amor equivalia àquilo que na física se denomina por sistema fechado. Eu dava (ou queria dar), mas não recebia (positivamente). Como assim andava o amor, decidi que seria melhor que o pusesse em pausa para ponderar o que fazer a seguir.
Tinha chegado à estação de comboios do Rossio e reparo que num canto encontram-se uma série de cacifos, aproximo-me para vê-los melhor e leio na inscrição "Depósito de bagagens". Era exatamente isto que procurava, sem hesitar abro um dos cacifos e depositei o meu amor lá dentro. Coloquei o meu amor em espera. Tinha-se tornado um fardo que não conseguia suportar (mas nem por isso me sentia aliviado). Fechei a porta e paguei a quantia respondente a uma embalagem pequena (assim andava o meu amor). Inseri três euros que me assegurava um aluguer para um período de vinte e quatro horas. Um pequeno custo para um falso alívio.
Daí em diante, todos os dias encaminhava-me ao meu cacifo e voltava a pagar a mesma quantia.
Com o tempo aquele comportamento tornou-se rotina e rapidamente se enquadrou na minha rota.
Até àquele dia.
Um comboio tinha acabado de chegar e as pessoas acotovelavam-se para sair, parecia que o maquinista ia fazer explodir o engenho. No meio daquela confusão estavas tu, tão serena. Já me havias visto, noutras ocasiões, diante do depósito de bagagens e o meu comportamento intrigava-te. Sentias um curiosidade em perceber o que provocava aquela ritualização. Naquele dia decidiste agir.
Aproximaste-te de mim.
Sem receio.
No momento em que me preparava os três euros tu interpelas-me, perguntando "O que guarda aí?".
Sem perceber o que tinha acontecido senti um estilhaçar dentro de mim e instintivamente olhei-te. Sorrias-me.
Senti um calor a envolver-me, algo que nunca tinha sentido e num ato contínuo respondi "É o meu amor".
"Posso ver?"
"Sim!"
Abri o cacifo.
Vi a tua imagem.
Vi o meu amor.
Não posso ser dramático a esse ponto. A verdade é que a minha relação com o amor equivalia àquilo que na física se denomina por sistema fechado. Eu dava (ou queria dar), mas não recebia (positivamente). Como assim andava o amor, decidi que seria melhor que o pusesse em pausa para ponderar o que fazer a seguir.
Tinha chegado à estação de comboios do Rossio e reparo que num canto encontram-se uma série de cacifos, aproximo-me para vê-los melhor e leio na inscrição "Depósito de bagagens". Era exatamente isto que procurava, sem hesitar abro um dos cacifos e depositei o meu amor lá dentro. Coloquei o meu amor em espera. Tinha-se tornado um fardo que não conseguia suportar (mas nem por isso me sentia aliviado). Fechei a porta e paguei a quantia respondente a uma embalagem pequena (assim andava o meu amor). Inseri três euros que me assegurava um aluguer para um período de vinte e quatro horas. Um pequeno custo para um falso alívio.
Daí em diante, todos os dias encaminhava-me ao meu cacifo e voltava a pagar a mesma quantia.
Com o tempo aquele comportamento tornou-se rotina e rapidamente se enquadrou na minha rota.
Até àquele dia.
Um comboio tinha acabado de chegar e as pessoas acotovelavam-se para sair, parecia que o maquinista ia fazer explodir o engenho. No meio daquela confusão estavas tu, tão serena. Já me havias visto, noutras ocasiões, diante do depósito de bagagens e o meu comportamento intrigava-te. Sentias um curiosidade em perceber o que provocava aquela ritualização. Naquele dia decidiste agir.
Aproximaste-te de mim.
Sem receio.
No momento em que me preparava os três euros tu interpelas-me, perguntando "O que guarda aí?".
Sem perceber o que tinha acontecido senti um estilhaçar dentro de mim e instintivamente olhei-te. Sorrias-me.
Senti um calor a envolver-me, algo que nunca tinha sentido e num ato contínuo respondi "É o meu amor".
"Posso ver?"
"Sim!"
Abri o cacifo.
Vi a tua imagem.
Vi o meu amor.
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