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A mostrar mensagens de abril, 2015

Temos tanto para escrever

Tenho-te dito que ultimamente não tenho escrito. Disse-te que quando andava acompanhado da solidão a escrita fluía e é verdade, mas agora entendo o porquê de me faltarem as palavras. Quando só, escrevia sobre a ausência, mas esta encontra-se colmatada. Tu vieste resolver o meu problema de expressão e as palavras escritas que ditavam vontades, desejos e quereres têm agora um destino e como uma seta cortam o vento na tua direção. As palavras são agora ditas, mas continuaram a ser escritas pois tenho tanto mais para te dizer, para te escrever.
Ele sentia no vento uma voz Era ela que soprava o seu nome

Solidão?

Corria um dia sereno onde nada se inquietava, ninguém suspirava, apenas vivia-se mecanicamente sem que o momento passado fosse relembrado. Robotizado, sem sentido nem direção abriu os olhos. Acordou. Recebeu um novo dia com a apatia e nem vontade tinha de dizer bom dia. Levantou-se para encarar o mundo de corpo curvado e cabeça baixa. O seu mundo era o chão, não encontrava prazer no horizonte. Procurava moedas, encontrava lixo, pastilhas coladas ao chão, tão antigas que mais pareciam fosseis. Respirou uma, duas vezes. Isso serviria para o dia. O respirar não lhe era importante, pois não permanecia com ele. Mal entrava já estava a perguntar onde era a saída. Ele estava ele, não estava sozinho. Nunca se sentiu sozinho, pois nunca tinha tido nada. Como é que se sente a solidão se esta nunca foi presente? A solidão é um presente que é dado por um outro, mas o outro era inexistente nele. Saiu e andou. Não fazia nada. Apenas caminhava. Caminhava com as horas. Cada segundo er...
Amote mesmo muito e a cada momento que passa esse amor torna-se maior, mas continua sempre tão nosso. Fazer amor contigo é verdadeiramente fazer amor, é entregarmo-nos total e completamente, sem medos nem receios. De cada vez que fazemos amor contamos uma história, pintamos um quadro, tocamos música... O nosso amor é uma arte que cultivamos e que dá frutos lindíssimos.

Nuvole Bianche

Ela entrou no carro e não disse nada. Virei-me para ela e disse “Saímos já”. Ela apenas lançou-me um breve sorriso e acenou ligeiramente. Enquadrou as suas costas com o banco e aí permaneceu, calma e tranquilamente. Vestia um dos seus vestidos ligeiros, ornamentado por flores que pareciam flutuar após uma leve brisa as ter levantado do chão. Olhava-a pelo espelho retrovisor, sentada quase sem fazer peso sobre o acento, dotada de uma ligeireza que até às penas fazia inveja. Ela sentada no banco de trás e eu no da frente, era eu que conduzia o veículo. Dou à chave, coloco a primeira, destravo e carro e sigo caminho. Não pergunto para onde vamos, sei exatamente. Ela não me disse qual o destino, mas sabia para onde tinha que a dirigir. A viagem segue e nós seguimos com ela e com o silêncio. Silêncio puro, sem constrangimentos, vergonhas ou incompetências linguísticas. Apenas silêncio. Tão cristalino que me sentia a conduzir por águas translúcidas. Tal como os seus olhos que durante a viag...