Solidão?

Corria um dia sereno onde nada se inquietava, ninguém suspirava, apenas vivia-se mecanicamente sem que o momento passado fosse relembrado. Robotizado, sem sentido nem direção abriu os olhos. Acordou. Recebeu um novo dia com a apatia e nem vontade tinha de dizer bom dia.

Levantou-se para encarar o mundo de corpo curvado e cabeça baixa. O seu mundo era o chão, não encontrava prazer no horizonte. Procurava moedas, encontrava lixo, pastilhas coladas ao chão, tão antigas que mais pareciam fosseis.

Respirou uma, duas vezes. Isso serviria para o dia. O respirar não lhe era importante, pois não permanecia com ele. Mal entrava já estava a perguntar onde era a saída. Ele estava ele, não estava sozinho. Nunca se sentiu sozinho, pois nunca tinha tido nada. Como é que se sente a solidão se esta nunca foi presente? A solidão é um presente que é dado por um outro, mas o outro era inexistente nele.

Saiu e andou. Não fazia nada. Apenas caminhava.

Caminhava com as horas. Cada segundo era um passo dado.

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