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A mostrar mensagens de junho, 2015
Panoptismo & voyeurismo: serão assim tão diferentes?
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“Não procures esconder nada; O tempo vê, escuta e revela tudo” Sófocles, dramaturgo e pensador grego (século V a.C.) O presente artigo propõem-se perceber se poderá existir algum tipo de relação entre o conceito de panoptismo e a perversão voyeurista, que tipo de semelhanças pode ser encontradas entre ambos e se será possível considerar algumas das manifestações voyeuristas como ramificações do poder disciplinar originado a partir do panoptismo. A literatura não é explícita relativamente à problemática aqui levantada, isto é, não foi encontrado nada que refira que o voyeurismo possa ser visto de acordo com o conceito de panoptismo ou que estes estejam de alguma forma relacionados. Por conseguinte, apenas se podem fazer inferências e apresentar argumentos que façam sentido e que possam de alguma forma clarificar o dualismo panoptismo/voyeurismo. Panóptico Nos finais do século XVIII surgiu uma construção arquitectónica conhecida como panóptico de Bentham que veio alterar...
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Com o mesmo olhar, contou-me das doenças que mataram as escravas que tinha levado e, sorrindo, contou-me de como tinha ouvido o meu nome pronunciado em muitos países. Falou-me do país onde os homens vendiam livros em canoas numa lagoa maior que dez cidades, disse-me que percebeu que o meu nome estava escrito num dos livros. Falou-me de um velho e desdentado vendedor de livros numa canoa, a pronunciar o meu nome no meio de uma língua indecifrável. O príncipe de calicatri sabia dizer obrigado em mais de noventa idiomas; sabia dizer o meu nome é príncipe de calicatri em mais de cinquenta idiomas; mas não sabia ler, nem sabia escrever. E repetiu o meu nome na voz daquele velho. Falou-me depois do país onde as mãe liam os meus livros aos filhos, disse-me que as palavras que eu inventava eram as primeiras palavras que aquelas crianças aprendiam. Falou-me depois do país onde os meus livros eram queimados, onde os guardas perseguiam as pessoas que escondiam os meus livros dentro de caixas de ...
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Ele viva sozinho num apartamento T1. Ele gostava muito de falar, mas como vivia sozinho falava consigo. Os vizinhos ouviam e achavam tudo aquilo muito estranho. "Está sempre a falar, mas nunca vemos ninguém a entrar ou a sair!" dizia um vizinho. "Deve ser maluco" comentava outro. Ele apercebeu-se disso. Os vizinho olhavam de soslaio e sussurravam entre si. Ele não queria deixar de falar, dava-lhe muito prazer. Então teve uma ideia. Adotou um gato. Agora sempre que os vizinhos o ouvem a falar exclamam: "Lá está ele a falar com o gato." Nunca mais foi alvo de olhares ou sussurros. Em vez disso agora dizem-lhe: "Bom dia! Como está o seu gato?" E com isto pode continuar a falar. Moral da história: Adote um animal.
Hoje Tomei a Decisão de Ser Eu
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Hoje, ao tomar de vez a decisão de ser Eu, de viver à altura do meu mister, e, por isso, de desprezar a ideia do reclame, e plebeia sociabilizacão de mim, do Interseccionismo, reentrei de vez, de volta da minha viagem de impressões pelos outros, na posse plena do meu Génio e na divina consciência da minha Missão. Hoje só me quero tal qual meu carácter nato quer que eu seja; e meu Génio, com ele nascido, me impõe que eu não deixe de ser. Atitude por atitude, melhor a mais nobre, a mais alta e a mais calma. Pose por pose, a pose de ser o que sou. Nada de desafios à plebe, nada de girândolas para o riso ou a raiva dos inferiores. A superioridade não se mascara de palhaço; é de renúncia e de silêncio que se veste. O último rasto de influência dos outros no meu carácter cessou com isto. Reconheci — ao sentir que podia e ia dominar o desejo intenso e infantil de «lançar o Interseccionismo» — a tranquila posse de mim. Um raio hoje deslumbrou-me de lucidez. Nasci. Fernando...
Amor! Amor!
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O amor é feito de citações. Frases feitas. Não se enganem é mesmo uma experiência maravilhosa. Aquece nos dias frios e aconchega nos dias quentes. O amor é a 1ª, 2ª, 3ª, 4ª impressão. É uma construção. Com o outro. O amor é nós. Nosso. É feito na partilha. Também é dor. Dor de não poder amar mais. Dor de não ser amado por quem se ama. O amor não se gasta. É inesgotável. É potável e aconselhável. Alimenta-se a si próprio e o nós é o combustível. Até os perversos amam. Têm é algumas particularidades que os diferenciam, desde que a integridade física e psicológica esteja garantida, é uma forma de amor. Se colocarmos um ser humano numa peneira, como os garimpeiros fazem na sua demanda de ouro, a pedra preciosa que iria sobressair seria o amor. O amor é como ter todo o outro. Já tiveste todo o outro? Não. Sentes amor? Sim. Então és dono de todo o ouro. O amor não esquece o passado, aceita-o. O amor é como navegar num oceano imenso. É imp...
Musgo
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Musgo delicado? Musgo resistente? Musgo que me prende Trepa sobre mim Rasga a minha mente Tapas a minha boca Sufocas o meu olhar Pesas e afundas Incapacitando-me de andar Agora vazio A entrada persegue Para me encher Com a tua seiva de nada Cresces sem parar Sem parar Sem parar E extingues o meu ser Nota: O ser humano como o musgo (ser simbiótico) é um sistema aberto sendo recetor e efetor, mas existem exceções à regra, seres parasitas em registo de sistema fechado