Saudade
Amor
escrevo-te. Escrevo-te ao lado do nosso desenho.
Escrevo
as saudades. Tento escrever as saudades. Tenho tantas que as palavras se
esgotam antes que chegue a meio. Só não sinto a necessidade de escrever as
saudades quando estou contigo. Por mim estava sempre contigo. Por nós também. E
se enjoasse bebia uma água das pedras, fazia uma careta e dizia: “Estou a
brincar, não me enjoo de estar contigo”. Gostava de escrever a saudade contigo
a meu lado. A espreitares enquanto te dizia: “Não olhes!”
Nem
isso nem nada te impediria de olhar. Olhar com um sorriso maroto. Na tua
marotice perguntavas: “O que escreves?”.
“Saudades
do meu amor” respondia-te, entrando na tua marotice pouco subtil.
“Tens
saudades do teu amor?”, dizias fixando-te em mim. “Escreves saudades
minhas?”
Levantava
os olhos da folha, pousava a caneta – o que escrevo para ti é permanente – e beijava-te,
seguido de um sorriso sim.
A
saudade, nesse momento, ficava em suspenso, como tudo fica, todo o infinito em
suspenso e nós beijávamo-nos.
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