Quando ela dormiu pela primeira vez na minha cama. Nunca hei-de esquecer esse dia. Deixe de ter uma cama, passei a ter a nossa cama que nos embala e protege dos monstros que vivem no armário e debaixo da cama. Eu tinha medo, dormia sozinho num espaço frio a habitado por sombras. Ela chegou e varreu, mandou-as para debaixo do tapete como se faz com o pó que não queremos que fique a flutuar no ar. Ela limpou o meu quarto, tornou-o habitável. Ela veio salvar-me. Perguntei como lhe podia agradecer e ela disse num tom suave “tenho sono”. Dei-lhe a minha cama. Preparava para me deitar no chão, mas continuava com medo, medo irracional. Invisual. Acanhado perguntei-lhe se podia deitar-me na cama e ela respondeu-me com um sorriso. Deitei e encostei-me à beira dela, não a queria incomodar. Minha salvadora. Com o édredon – o manto protetor – fechei os olhos para afastar o medo e senti algo quente. Ela aproximou-se de mim. Pressionou o seu corpo de encontro ao meu. Aqueceu-o. Afastou os últimos m...
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A mostrar mensagens de dezembro, 2014
Ela
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Ele chorava a morte dela. Um repentino ataque, vindo de parte incerta havia acertado em cheio no seu coração e ela pareceu. E com ela uma parte dele pareceu, uma parte que não iria mais recuperar, pois ele tinha perdido a capacidade de regeneração, tinha desaparecido com ela. Ele lamentava a morte, lamentava a vida e tudo o que se encontrava pelo meio. O mundo escurecia, a noite predominava no dia e o fim já tinha passado de prazo. A passividade passava a fazer a sua rotina e o entorpecimento era o seu alimento. Ela fazia-lhe falta. Faltava-lhe um pedaço, a alma. Os sentidos que sentia eram de vazio. Amaldiçoava o tempo e o espaço, esses conceitos subjectivos que foram objectivos quando atuaram sobre ela. Quando a fizeram abandonar o mundo cedo de mais. Não houve pré-aviso, eles não disseram nada, limitaram-se a vir buscá-la e ela nem pode reagir, não se pode defender. Indefesa foi levada deste mundo e levou consigo o mundo dele. Ele olhava-a deitada, branca como o cal, vestida com o ...
Senti alguém a bater às portas do meu coração
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Encontrava-me sentado no velho sofá da casa sem alicerce. O mundo era cinzento, tóxico dependente de mágoas e tristezas. Estava para ali deixado, acabado, sem ninguém que me acudisse. Sozinho com o mundo. De repente ouvi baterem à porta e o meu rosto coberto de pó moveu-se fazendo-o pairar no ar até assentar novamente. As minhas articulações rangiam, achavam-se emperradas por não lhes ser dada atenção. Virei e olhei primeiro à esquerda e depois à direita. Repeti estes movimentos duas vezes para me certificar, mas a realidade é que não existia nenhuma porta nas proximidades. Delirava. Pensei que a partir daquele momento era feito de pó e delírios. Voltava ao passivo quando vindo do nada voltei a ouvir o bater, não podia ser um delírio, aquele toque tinha o som da verdade. Voltaram a bater e continuava sem perceber a sua localização. Voltaram a bater, desta vez com mais veemência, como que gritando “estou aqui” e foi aí que vi, que senti. O som vinha do meu peito, o meu coração voltava a...
Para um dia de casamento
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Num dia de chuva Saímos à rua Tínhamos um objetivo em mente Comprar um presente Palmilhamos ruas e ladeiras Descansámos em cadeiras À nossa volta os idiomas eram diversos Mas na nossa cruzada estávamos imersos Na procura incessante Por algo interessante Vendedores tentavam ludibriar-nos Queriam ridicularizar-nos Mas nós estávamos concentrados E não seriamos enganados Escapávamos das artimanhas Destas autênticas piranhas Conversávamos entre nós Queríamos desatar os nós E chegar a um destino Tentando manter algum tino Encontrámos o presente perfeito Algo de bastante respeito Um quadro de azulejo Que sobreviveu ao terramoto no Tejo Entrámos para o preço sondar E logo a nossa cabeça começou a rodar Novecentos euros era o que pediam Nem podíamos acreditar no que diziam Saímos de cabeça baixa, despedindo do senhor Como seria possível melhor Tristes fomos procurar consolo Queríamos algo doce, tipo um bolo Passamos pelo Santini...
O segredo
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Fabulei com o segredo Que me havias de contar Não nego que tinha medo Que me fosses largar Cheguei perto de ti Emprestei-te o meu ouvido Fazia-me de forte, mas tremi Não sabia o que teria havido Vinhas com ideias de profanar Querias ser bem atrevida Pôr-me a cantar Sem meia medida Ao princípio não percebi O que querias dizer E sem dar conta senti O sangue a ferver
Completo o monstro em mim com um sorriso encarnado
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The faith in the world Is just a temporary state Bruised with binding ignorance Moral is deceitful And angels dance In a garden full of serpents Stay down Lay down Drop down Your guard And pray Life's real when death approaches Fainting in the realm of the souls The blood on you face The shame of the wicked With cleansing eyes Hate spoke so loud That you became def Truth? It's something unknown Living is a simple chain of memories That the undead build upon us Rise and stand for yourself 'Cause in the end you will die
Ano um - parte 1
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Um ano de esperança Um ano de certeza Um ano onde a realeza Se resume à tua beleza Um ano de dança Um passo de leveza Um ano onde a clareza É sentado à tua mesa Um ano de andança Sem tom de moleza Um ano onde na reza Tentamos erguer uma fortaleza Um ano de perseverança Um ano de safadeza Acompanhado de nudeza Com muita natureza