Para um dia de casamento

Num dia de chuva
Saímos à rua
Tínhamos um objetivo em mente
Comprar um presente
Palmilhamos ruas e ladeiras
Descansámos em cadeiras
À nossa volta os idiomas eram diversos
Mas na nossa cruzada estávamos imersos
Na procura incessante
Por algo interessante
Vendedores tentavam ludibriar-nos
Queriam ridicularizar-nos
Mas nós estávamos concentrados
E não seriamos enganados
Escapávamos das artimanhas
Destas autênticas piranhas
Conversávamos entre nós
Queríamos desatar os nós
E chegar a um destino
Tentando manter algum tino
Encontrámos o presente perfeito
Algo de bastante respeito
Um quadro de azulejo
Que sobreviveu ao terramoto no Tejo
Entrámos para o preço sondar
E logo a nossa cabeça começou a rodar
Novecentos euros era o que pediam
Nem podíamos acreditar no que diziam
Saímos de cabeça baixa, despedindo do senhor
Como seria possível melhor
Tristes fomos procurar consolo
Queríamos algo doce, tipo um bolo
Passamos pelo Santini e decidimos comer um gelado
Para tentar resfriar o nosso lado desolado
Ali sentados, voltámos a pensar
A refletir e meditar
E depois de muita discussão
Chegamos a uma conclusão
Achamos que seria diferente
Almejamos para que fosse benemerente
Decidimos dar-vos um trio de molduras
Um presente com o qual contávamos ver as vossas dentaduras
Assim num sorriso aberto
Uma imagem bonita, isso era certo
Nas molduras estaria presente o melhor desde dia
Contando uma história, uma espécie de rapsódia
Na primeira, os personagens desta aventura
Cheia de felicidades e uma pequena agrura
Na segunda, a prenda ideal
Como gostaríamos que tivesse sido, para vocês, real
Na terceira o momento de deleite
Onde chegámos à conclusão aceite
Esperemos que seja do vosso agrado
Neste dia tão especial e amado

(para a Maria João e o Yves)

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