Quando ela dormiu pela primeira vez na minha cama. Nunca
hei-de esquecer esse dia. Deixe de ter uma cama, passei a ter a nossa
cama que nos embala e protege dos monstros que vivem no armário e debaixo
da cama. Eu tinha medo, dormia sozinho num espaço frio a habitado por sombras.
Ela chegou e varreu, mandou-as para debaixo do tapete como se faz com o pó que não queremos que fique a flutuar no ar. Ela limpou o
meu quarto, tornou-o habitável. Ela veio salvar-me. Perguntei como lhe podia
agradecer e ela disse num tom suave “tenho sono”. Dei-lhe a minha cama. Preparava
para me deitar no chão, mas continuava com medo, medo irracional. Invisual.
Acanhado perguntei-lhe se podia deitar-me na cama e ela respondeu-me com um
sorriso. Deitei e encostei-me à beira dela, não a queria incomodar. Minha salvadora. Com o édredon – o manto protetor
– fechei os olhos para afastar o medo e senti algo quente. Ela aproximou-se de
mim. Pressionou o seu corpo de encontro ao meu. Aqueceu-o. Afastou os últimos monstros,
os que habitavam a minha alma. Pela primeira vez sentia o calor. O corpo dela
no meu. A proteger-me, a aquecer-me, a tornar-me humano.
Intermezzo 02
Apesar de que gostaria de poder postar todos os dias algo de novo não tenho essa possibilidade, por isso decidi que irei actualizar este blog todas as terças, quartas e domingos, sendo estes os dias em que tenho uma maior disponibilidade. Esperem então novidades. Se alguém tiver comentários, sugestões, reclamações, criticas a fazer por favor façam, não sejam tímidos, porque aqui ninguém irá julgar ninguém.
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