De manhã. Bem cedo. Estás comigo. Dormimos juntos. Eu acordo. Viro-me para ti. Ainda dormes. Aproximo-me mais de ti. Bem juntinhos. Abraço-te. Sussurro (com um tom calmo e delicado - quase triste por te acordar, mas ansiosa por te ter a olhar para mim). Bom dia ____. E espero pelo teu olhar com um sorriso nos lábios. Ana Marques
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A origem de uma tese
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"Brooke didn't know me because we hadn't shared anything, because everything we'd ever done together was really only stuff she'd done alone, while I watched through her window. I'd watched her do her homework a few nights ago, and knew that we had the same assignment, but that didn't count as doing it together because she didn't even know I was there. And then, when the phone rang and she picked it up and said hello to someone else, it was like a wedge between us. She smiled at the invader and not at me, and I wanted to scream, but I knew that no one was interrupting anything because I was the only one in the world who knew that anything was going on." Dan Wells “I’m (not) a serial killer”
O lixo de uns é o sustento de outros
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A verdade é que até ter lido a noticia nunca tinha pensado sobre o assunto que retrata o presente documentário. Nunca me tinha questionado sobre o que acontece a materiais electrónicos que tenham perdido o seu valor inicial. Após a visualização do documentário surgem na minha cabeça diversas questões mas há uma que se me impõe sobre todas que é: "Como ou quem é que decidiu que esta cidade seria um aterro para todos estes aparelhos electrónicos?" Como terá sido o início desta história? O meio da história é dado a conhecer no filme. O final, esse não se afigura como um céu límpido. e-wasteland from David Fedele on Vimeo .
Afecto
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Foi num verão, decidi que era uma boa altura para fazer voluntariado e gostaria de estar com crianças por achar que poderia ser uma experiência interessante. Informei-me e tomei as providências necessárias. Durante a primeira semana de Agosto estive numa creche na companhia de crianças com idades entre os quatro e os cinco anos. Desde o primeiro dia que te fizeste notar perante mim, senti que tinhas falta de afecto e procuravas fazer o que fosse possível para estar perto de mim. Fixando os teus olhos azuis em mim, enviavas-me um largo sorrias tendo como moldura um belo cabelo loiro. A temperatura nesses dias estava convidativa a uns mergulhos no mar, mas nós encontrávamo-nos ali. No segundo dia da semana que aí estive foi programado que se iria utilizar a piscina, daquelas de plástico, que tinham estado a armar no dia anterior. As crianças deliciavam-se e refrescavam-se naquela água fresquinha e para não ser alvo de salpicos desenfreados decidi permanecer na sala onde me sen...
Immured
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Estávamos de frente um para o outro Não te conseguia olhar A separar tínhamos duas paredes O tempo foi andando As paredes foram perdendo força Um tijolo de cada vez Chegou ao ponto em que consegui ver a tua face E percebi que não desviávamos olhares Até um som te ter captado a atenção Foi numa fracção de segundos As paredes voltaram a ganhar força Estão de novo cimentadas Desde esse momento aqui permaneço Com o olhar conservado na parede Na esperança que o som se dissipe E o teu olhar regresse ao meu
Desencontro material
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Ele abre a boca e não sai nada, o discurso ficou preso no pensamento. Ela não vem, o nada ocupa o seu lugar na cama que nunca chegaram a partilhar. De tanto estar sozinho perdeu a habilidade de falar, regrediu à forma primal e apenas é capaz de emitir grunhidos. A espera prossegue, a porta encontra-se entreaberta para que nada a impeça de entrar. Ele vê mal e recusa-se a tirar os óculos, mesmo durante o sono. Tem receio de não a olhar. Ela tem olhos? Duas orelhas? Um nariz? Um sorriso? Ela existe! Ele apreendeu o cheio dela e bloqueou o olfacto. Já não cheira o mundo. Ela, o mundo. Ele não sai de si, tornou-se um hikikomori . Na rua pessoas passeiam, ela corre. Ouve tocar à porta fechada. Entreaberta apenas para ela. Não responde, é engano. A morada dela é na casa dele. A casa dele está vazia. Ela não aparece. Ele desaparece.
A escadaria que me imobilizou
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A estação estava deserta e esperava o comboio. Naquele momento apenas o meu corpo e as escadas rolantes funcionavam, o resto encontrava-se em suspenso. Assim permanecia o ambiente que me rodeava, até que, de repente, e sem qualquer aviso senti uma mudança no ar que até ai era solitário. Reparo que as escadas, num acto de mestria, começam num crescente aumento de velocidade. Percebi que se aproximava alguém. Em sentido descendente começa a surgir uma figura, a primeira impressão é marcada pelo seu calçado que percebi de imediato pertencer a um ser humano do sexo feminino. Gradualmente a imagem foi-se compondo, surgindo as pernas como prolongamento dos pés, seguindo-se das coxas, cintura, ventre, o tronco completava-se com o peito, sendo acompanhado pelos braços e por duas mãos de aparência suave. Por fim a morfologia completou-se com a aparição de uma cabeça ostentado um rosto de traços delicados e um conjunto de finos cabelos da cor do trigo maduro. Na presença do conjunto de linhas ...
Revelar
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Gosto de fotografias. Gosto de ver fotografias. Gosto de tirar fotografias, mas não faço questão de aparecer nelas. Prefiro tirar ou ver uma foto na qual não apareço, mas sabendo que estive presente no momento em que houve esse registo. O facto de não aparecer estimula a memória, permite-me pensar no que estaria a fazer ou a dizer nesse instante. Não estar fisicamente na imagem permite acompanha-la de forma implícita, reactualizando essa ocasião com maior precisão. A presença material deixa pouco à imaginação, é aquilo que se vê e nada mais ou pelo menos exige um menos esforço mental em perceber qual seria a posição do nosso corpo ou o que se movimentava pelo nosso espírito. Acho belo captar uma parede branca, sabendo que ao olhar para ela - por detrás da câmara - estão imagens que irão ficar registadas no núcleo duro dessa fotografia. Não é preciso aparecer, para se ver e ser visto!
Dine with me, tonight
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The weather is nice. Let's have dinner! Nothing's good on TV. Let's have dinner! I have a lot of work to do. Let's have dinner! The sun is rising. Let's have dinner! My phone's battery is running low. Let's have dinner! I've done cleaning my room. Let's have dinner! I stumble upon you. Let's have dinner! I'm not hungry. Let's have dinner!
Pequena nota sobre o amor à primeira vista
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Não acredito em amor à primeira vista! O amor tal como é concebido socialmente implica todo um trabalho e é um processo moroso que não surge tão instantaneamente como um simples piscar de olhos. Esse primeiro olhar ao outro é virgem de preparação, é um recém-nascido que se forma e que se poderá desenvolver, mas no inicio não é amor, é atracção. Sim, uma atracção, onde a libido desempenha uma função crucial activando o sujeito para o outro e que sofre uma gradação consoante o estímulo apresentado e o prazer que este lhe indicia. Atracção à primeira vista!
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Parece que vivemos em universos paralelos, mas se assim fosse queimaria todos os sóis do meu universo para poder chegar a ti. No entanto, não nos encontramos em universos paralelos então porquê não te procuro? Visto que não tenho que cometer um acto tão imprudente ou impulsivo como queimar o Sol deveria ser simples. Então qual é o motivo para não avançar? Alguém me consegue explicar?
Visão em túnel
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Hoje apetece-me escrever sobre os meus olhos. Eu gosto dos meus olhos, eles são castanhos. Não têm uma cor deslumbrante nem qualquer particularidade. São pura e simplesmente castanhos, mas eu gosto. Tenho orgulho neles, pois são a minha janela para o exterior e mesmo que este seja estranho ou feio consigo, com a ajuda dos meus olhos, encontrar o que de bom e belo tem para oferecer. Os meus olhos são sensíveis e faço o melhor que posso para cuidar e estimá-los, pois sei que me dão muitas alegrias. Os meu olhos já viram muito, já ouviram muito e já sentiram muito e sou grato por me serem assim tão queridos. Há uma grande razão para gostar assim tanto dos meus olhos, uma razão que os embeleza. Com eles posso olhar para ti. E como eu gosto de olhar para ti!
2046
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Do you know what people did in the old days when they had secrets they didn't want to share? They'd climb a moutain, find a tree, carve a hole in it, whisper the secret into the hole and cover it up with mud. That way, nobody else would ever learn the secret... I have a secret to tell you. Will you leave with me?
illuminati
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- Tenho medo do escuro. - Eu sei. - Protege-me. - Não posso. - Como assim, não podes? - Os medos és tu que os crias. Não posso proteger-te de uma coisa que existe dentro de ti. - Mas... eu não quero ter medo. - Desculpa. Se não quiseres ter medo, não tens. - Se estiveres comigo, não tenho. Ficas comigo? - Estou contigo. - Ficas em mim? - Estou em ti. - É que se estiveres em mim, não vai haver espaço para o medo entrar. - Estou contigo, em ti. Sou contigo e para ti. Acendeu uma pequena vela e deu-lhe. - Esta vela é o meu escuro. Ofereço-ta. Não quero ser eu a separar-te do teu medo. Mas o meu medo pode separar-te do teu. Palavras de Ana Nunes & foto de Inês Nunes criadas especialmente para este espaço. Sugiro uma visita (demorada) à seguinte morada onde poderão deliciar-se com mais belas palavras e fotos : http://re_ligare.blogs.sapo.pt/
A mar
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É maravilhoso como uma simples letra pode tornar uma força da natureza num sentimento poderoso. Essa força, por si só, já é capaz de mover montanhas, mas com a adição da pequena letra o seu poder torna-se imensurável. A simples letra é "a" e a força da natureza trata-se do "mar" . Juntas forma a mais bela conta de somar, Amar!
Tu, o rio, a alma e Lisboa
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Já compreendi o porquê de viveres em (e amares) Lisboa. Há mulheres que trazem o mar nos olhos Não pela cor Mas pela vastidão da alma E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos Ficam para além do tempo Como se a maré nunca as levasse Da praia onde foram felizes Há mulheres que trazem o mar nos olhos pela grandeza da imensidão da alma pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens... Há mulheres que são maré em noites de tardes e calma. Sophia de Mello Breyner Andresen
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este livro. passa um dedo pela página, sente o papel como se sentisses a pele do meu corpo, o meu rosto. este livro tem palavras. esquece as palavras por momentos. o que temos para dizer não pode ser dito. sente o peso deste livro. o peso da minha mão sobre a tua. damos as mãos quando seguras este livro. não me perguntes quem sou. não me perguntes nada. eu não sei responder a todas as perguntas do mundo. pousa os lábios sobre a página. pousa os lábios sobre o papel. devagar, muito devagar. vamos beijar-nos. José Luís Peixoto
Ninguém
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- Quem és? - Eu? Ninguém! - Como assim? Ninguém, quê? - Simplesmente, ninguém! - Mas como? Ninguém é ninguém! - Exacto. - Porquê, ninguém? - Para poder estar contigo! - Não estou a perceber. - É simples! Sabes quando costumas confidenciar contigo que ninguém gosta de ti, que ninguém tem saudades tuas, que ninguém te acha bonita ou interessante? Esse ninguém, sou eu! - Então, ninguém me ama? - Sim.
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É de noite. Um cão corre assustado pela berma da autoestrada. Ultrapasso-o e paro. O cão estaca. Aproximo-me e ele foge no sentido contrário. Perco-o. Nas autoestradas (como na vida) a inversão de marcha não é permitida. (Como fazer para que o medo acabe e para que não me fujas?) Dulce Maria Cardoso , autora de "O Retornado"
Vem perder-te comigo
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Descalço e sem sentido pisava as areias quentes do deserto, alimentando-me de raios de sol que queimavam o meu corpo frágil e desprotegido. No horizonte o cenário era composto pelo som de grãos de areia a cantar e a dançar num leve corrupio sob o céu azul. O meu corpo não obedecia, anda em linha recta nas dunas irregulares com os olhos via-me perdido. Vi algo mais, uma silhueta que caminhava delicadamente. Receei que tal imagem fosse uma miragem, uma alucinação inteligentemente elaborada pelo meu subconsciente para me poupar à amargura da solidão, mas sem hesitar avancei até ela e mesmo perdido, disse. - Vem perder-te comigo. A alucinação, agora nítida, real, respondeu. - Onde? Onde, perguntava. - Num sítio que ninguém saiba, nem mesmo nós. Sabes, é quando me perco que consigo encontrar-me. Se me perder contigo, vou encontrar-te também. É citado Ana Nunes.
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- Já te aconteceu quereres escrever sobre qualquer coisa e não conseguires? - Por acaso não... A ti já? - Tantas vezes. Ultimamente não encontro palavras para definir o que sinto. - Então talvez esse sentimento não seja possível de definir... - Eu sei o que se passa cá dentro, este turbilhão de emoções, eu reconheço-as... não consigo é defini-las, exterioriza-las em palavras. - Mas porque o queres fazer? - Não sei... porque costumo escrever, consigo escrever sobre tudo. - Parece-me que não. Penso que não consegues escrever sobre os teus sentimentos. Quando parece que o fazes, é mentira e se consegues falar deles, talvez não te estejam a consumir. Se ficas sem ar, sem inspiração, sem concentração, estás a entregar-te ao que sentes, caso contrário, mentes. - Consigo pintar. Não consigo fazê-lo com as palavras, mas consigo deixar-me passar para a tela, através dos meus dedos, das cores que eles escolhem. Acho que vou tentar... mas talvez precise de to...
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A minha vida é um turbilhão de emoções, o amor por vezes sabe a ódio e o ódio com o seu sabor amargo corroí o meu ser. O Homem tem o maior poder de sempre, a capacidade de pensar e de verbaliza-lo, mas nem sempre o utiliza de uma forma proveitosa e isso (pode) provoca(r) caos e miséria. Na minha vida o pensar leva a um beco sem saída onde a única porta aberta é a da desistência, o que de resto resume a minha perspectiva do "penso, logo desisto". Por isto, tento libertar-me do pensamento, mas com pouco êxito, visto que ele regressa, reforçado. Mais havia deste texto (antigo) a escrever, mas o seu propósito prende-se, presentemente, com o libertar, expurgar! Aceito-te frase ignóbil que sente prazer no atormentar, mas recuso-te o olhar deliciado com que ficas quando me descoordenas o pensamento. E quando me tentas envenenar, sussurrando ao ouvido frases sobre os outros? Despede-te de mim, vou-te construir um caminho para que possas seguir o teu destino, caminho esse que n...
O Piano
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Um piano com as teclas partidas, rodeado de água, talvez num pequeno lago. O dono do piano chega até ele, com água pelos tornozelos. A mulher e os filhos morreram na catástrofe, mas agora ele localizou o piano que, com o desa- bamento da casa, desaparecera. Chegando ao pé do piano, o homem toca numa tecla quase por instinto, para ver se ainda funciona. Há muito barulho na cidade, há sirenes de am- bulância por todo o lado e por isso ele não tem a certeza se o que ouviu foi resultado do seu toque no piano. Mas o piano está de tal forma desfeito que é impossível alguma tecla ainda funcionar. De qualquer forma, o homem - que acabou de perder a mulher e os filhos - terá perdido também por completo a razão ou então terá ganhado uma outra forma de olhar para o que lhe acontece; e isto porque, em pleno alvoroço, na altura em que há mortos por todo o lado, e no momento em que cada um procura encontrar os seus familiares e confirmar se eles ainda estão vivos, é nessa altura...
Antígona
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Antígona. Quem és tu? Se tu existes, porquê não te vejo? Andas por caminhos onde os meus não alcançam. Como posso Antígona? Quando é que este tormento cessará? Revelaste-te a mim em sonhos e fazes-me duvidar da minha sanidade. Estarei louco Antígona? Será que te amo? É a única explicação que encontro para justificar tamanha assombração. Gasto o meu olhar de tanto procurar o teu. Falta-me a voz de tanto gritar o teu nome, sem resposta. Antígona! Sim, tu Antígona. Tu que és só tu e não és nós. Faltam-me as palavras, perdi a capacidade de expressão. Apenas, Antígona. Antígona Antígon Antígo Antíg Antí Ant An A .
Duas linhas/Dois mundos
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Enquanto escrevi isto estava sentado num comboio da linha de Sintra, serviço ao qual me vejo obrigado a recorrer com elevada frequência. A linha de Sintra não é um local que seja conhecido pelos seus aspectos positivos, aqui imperam os estereótipos e muitos dos seus utentes fazem questão de os "alimentar", podendo tentar atribuir culpas externas, sugerindo que são rotulados por outros, mas na verdade isso não é a realidade totalmente. Este é o mundo a que estou habituado e posso afirmar que (in)felizmente não pertenço, inclusive, não me revejo nos diversos grupos que deambulam por esses caminhos de ferro, mas não quero com isto passar a ideia de que sou melhor ou pior que os elementos que se identificam com esses grupos, digamos, apenas que sou diferente, naquele contexto, um outlier. Mas existe um mundo, totalmente diferente - pelo menos no exterior - e que vive paralelo ao que habito, refiro-me à linha de Cascais, mais conhecida por pontos positivos em detrimento dos ne...
Piquenique de sonho
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Na noite que antecede à qual escrevo, durante o sono tive vários sonhos e dentre esses apareceste tu, algo que já não ocorria há algum tempo, o que me deixou num estado ambivalente, onde ora pendia a melancolia da saudade ou a alegria do reencontro. Surgiste em diversas situações, cada uma distinguindo-se da outra. Umas ainda perfilam o meu consciente enquanto outra não lhe foi concedida passagem do inconsciente. Mas houve uma que me indiciou esta escrita, uma que me apertou a alma e que, mais uma vez, me relembrou o significado da saudade - sim, porque a saudade não é algo que se ensina e não é explicável, apenas sentimos-la - nesse simples sonho estávamos apenas os dois, ladeados por habitações que formavam um pequeno condomínio que se assemelhava de uma forma pitoresca à cidade Spectre do filme "The Big Fish" realizado por Tim Burton. Nesse local, originado pelo meu subconsciente, estávamos a fazer um piquenique, não sei como ...
O Inverno é psicológico
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O Inverno é psicológico, O vento que nos bate na cara e nos quebra a respiração é psicológico, A chuva que nos deixa até os ossos molhados e que derruba obstáculos é psicológica, O frio que nos faz assemelhar a uma cebola, cheios de camadas é psicológico, Os relâmpagos que iluminam a mais escura noite são psicológicos, Os trovões que fazem ribombar os nossos corpos e estremecer os céus são psicológicos, A ansia de ver voltar o Sol - escondido pelas nuvens - e de clamar o calor é psicológica. As constipações, gripes e derivados que nos assolam são, na verdade, psicológicos. O Inverno não é físico! O Inverno não é psicológico.
O silêncio tecnológico
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A tecnologia que tantos clamam e consideram indispensável ao progresso embate sobre mim de uma forma bastantes violenta. Ao contrário do resto do mundo estagna o meu progresso, origina conflitos no interior do meu self e estabelece barreiras que apesar de não possuírem forma física sinto dor ao colidir. Tento fazer meus aliados os meios de comunicação, mas de nada serve. Quantos mais esforços tento empregar menor é a comunicação obtida. Caso não esteja a ser explicito o suficiente, a tecnologia a que me remeto é a que tem por função a comunicação interpessoal, a que nos deveria permitir (tal como é vendida ao público) ligarmos-nos mutuamente. Tecnologia esta que deveria derrubar barreiras (não criar), juntar pessoas que se encontram longe (não separar) e facilitar a expressão e a comunicação das palavras (não dificultar). O mundo encontra-se ligado numa rede de fios globalizada, mas, no entanto, encontro-me, de momento, alienado dessa mesma rede....
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Yosi Horikawa, Bubbles Sôr Mendes fiz como pediste, coloquei os meus auscultadores, fechei os olhos e de repente vi-me num lugar onde, a um ritmo alucinante, choviam bolas de plástico de todas as cores e tamanho e apesar de nenhuma me tocar senti a vibração de cada uma dentro de mim. Foi um belo momento onde durante cinco minutos e cinquenta segundos te sentes preenchido. E foi um belo acompanhamento para o meu chá. O meu muito obrigado e que a partilha de pérolas escondidas continuem a tornar-se visíveis.
I (still) believe
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Once they all believed in dragons When the world was fresh and young, We were woven into legends, Tales were told and songs were sung, We were treated with obeisance, We were honored, we were feared, Then one day they stopped believing-- On that day, we disappeared. Now they say our time is over, Now they say we've lived our last, Now we're treated with derision Where once we ruled unsurpassed. We must make them all remember, In some way we must reveal That our spirit lives forever-- We are dragons! We are real! Jack Prelutsky , "Once they all believed in dragons"